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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Digo que digas.

Diz


Se me sorris como o fazes, por que o negas
quando pergunto sobre o nobre sentimento
a que me enlaço e prendo e não te apegas,
afastando mais de mim o firmamento?

Não és tu quem me procura e quem me ama,
quem à noite se diz saudade e tédio,
quem suspira maculada em minha cama
e agradece por me ter feito seu remédio?

E não és tu que, na sublime madrugada,
me procuras a embalar-te no meu seio
só querendo saber ser minha amada,
mas de amar-me te revestes de receio?

E por que ousas negar-me, quando,
em raríssima passagem de loucura,
saio à tua procura mendigando
por um breve momento de ternura?

Por que me fazes teu e não te tornas minha,
se, na noite, te atordoo em sonho ardente,
e te gelo, do calcanhar à espinha,
ao tirar-te o frio com meu toque quente?

Por que negas a mim o teu amor
se ao ouvir que te amo empalideces,
se sou eu quem te cura tua dor
e se é do meu amor que te embebeces?

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